»Opinião de Celestino Santos
Carta Aberta ao Senhor Primeiro-Ministro de Portugal com chamada de atenção e conhecimento para o Senhor Deputado pelo Círculo de Leiria, Dr.
Feliciano Barreiras Duarte
Exmo.
Senhor Primeiro-Ministro, Eng.
José Sócrates, sou cidadão Português, Fotógrafo Profissional (sem profissão na lista das profissões), um contribuinte do Estado.
Deste mesmo Estado, que me privou da juventude e me envelheceu precocemente, enviando-me, sem perguntar se queria ir, para a guerra na Guiné-Bissau.
Foram dois longos anos de “exílio”, foram dias e horas que nenhum político moderno pode avaliar e foram e são marcas que o tempo aumenta e não apaga e a Pátria não soube até hoje reconhecer.
Se esta crónica chegasse ao Primeiro-Ministro diria com certeza: “O que quer afinal este sujeito?!”.
Diria eu então: “Olhe que não quero muito Senhor Primeiro-Ministro e senhores responsáveis pela Governação!”.
Ao desabafar para o papel talvez evite mais um dos comprimidos que já tomo vitaliciamente.
Ontem, dia 23 de Abril de 2009, vim de Lisboa, onde estive a acompanhar a comissão encarregada de lhe fazer chegar um dossier das várias reuniões já feitas e, vezes sem conta, sempre remetidas para as tutelas, por outras tutelas, que são afinal membros do mesmo Governo e País.
Estivemos à porta da sua residência oficial, cerca de 300 homens e mulheres da Imagem e de outras áreas de pequenas e micro empresas.
Nós damos a imagem de quem regista e sente! Já o mesmo não aconteceu com as expectativas que criámos em ser recebidos como estava acordado pelo Senhor Primeiro-Ministro.
Oxalá o Dr.
Artur Penedos, seu assessor, que recebeu a CPPME, a ANIF e a AFP (estas últimas legítimas representantes dos fotógrafos de Portugal), tenha transmitido a V.
Exa.
o nosso empenho e desencanto.
Senhor Primeiro-Ministro, escrevo com o coração a bater e o pensamento em turbulência.
Nós, não andamos há mais de trinta anos a pedir muito.
Nós não queremos fundos e mundos, com qualquer tipo de subsídios porque não temos clientes!.
.
.
Tudo isso é natural, porque tudo o que se passa connosco acontece globalmente.
Nós, Eu, só lhe peço que regulamentem a minha profissão, que está sem nome na lista das profissões! Isto é incrível em pleno século XXI! O Senhor Primeiro-Ministro já sofreu, e vai sofrer na pele, feridas que, afinal, podemos supor nem terem sentido e nem muito têm a ver com a sua competência governativa, embora o obriguem a carregar “com esta cruz”.
Palavras suas ditas numa entrevista há dias.
Agora, nós pedimos, porque somos fotógrafos profissionais e só queremos a mais elementar medida de justiça para um ser humano, numa sociedade civilizada e organizada: o reconhecimento regulamentado como profissionais de fotografia! Isto, implica, para nós, o respeito, a exigência, a ética, a deontologia, o dever e cumprimento de regras de uma actividade que, neste momento, tem um telescópio e um fisco apontado mas para o alvo errado, pois não sabem quantos somos, o que por aí fazem de porta em porta, escola em escola e nos mais variados locais, ilegalmente, para não pagarem impostos! Ainda mais violento, Senhor Primeiro-Ministro, nós, os legalizados, temos empregados e despesas certas às quais não podemos fugir ou evitar.
Temos exigências legalizadas e instituídas pelo Governo.
Pagamos, pagamos e, agora, passamos a não ter trabalho.
Obrigados ao perigo eminente de termos que entrar no ilegalismo “sem lei nem roque” como, por certo, farão os cerca de 700 estúdios que já fecharam as portas!
Senhor Primeiro-Ministro, somos parte importante da economia nacional e, então, agora houve alguém que, iluminado não sei por que força ou por que deus, se lembrou de tornar o Estado o nosso mais cruel concorrente ao tirar-nos 10 milhões de potenciais clientes que vinham fazer os “passes” para a documentação!.
.
.
Não estão em causa a importância dos passes, que até é pequena.
Está em causa a proibição de entrar nos estúdios, o não reconhecimento dos nossos serviços e produtos frutos das novas tecnologias, afinal, uma das suas maiores bandeiras eleitorais – o choque tecnológico! Se em Portugal foi bem sentido foi na classe da Fotografia! Só por isto, Sr.
Primeiro-Ministro, merecíamos continuar a usar as nossas capacidades criadoras.
Sei que este desabafo é uma gota de água no oceano gigantesco que o cerca! Sei que, por vezes, se irrita com o jornalismo sensacionalista e há casos recentes mais que evidentes, a que qualquer cidadão não ficaria indiferente.
Por isso, e por falta de imparcialidade e algum tipo de aparente censura aos jornalistas na redacção da nossa comunicação social, resolvi servir-me deste pequeno meio de informação local para escrever o meu desencanto com toda a situação actual no nosso sector e, assim, chegar à comunidade onde estou inserido; certo ainda que o “Notícias do Bombarral” chega a outras fontes, irei motivar os colegas por zonas do país para que se sirvam “desta ferramenta local” e passem mensagem geral.
Espero também que esta informação e indignação chegue junto ao Dr.
Feliciano Barreiras Duarte, filho do Bombarral e exímio Deputado pelo nosso distrito de Leiria, na esperança que ele possa ajudar a construir uma justiça mais justa e propostas de leis que não atinjam valores culturais e verdadeiros atentados, como se está a passar com a Fotografia.
Estou certo que irá ser um elemento acutilante, informando-se do que se passa nesta causa, que é Nacional! Os deputados têm uma missão, mas muitos não a desempenham bem – estar próximo do cidadão, averiguando localmente o que um Governo não pode ver nem tem elementos responsáveis que o vejam.
Talvez com um diálogo concertado possamos encontrar uma saída para esta causa, que vem de há mais de trinta anos…
Senhor Primeiro-Ministro, cito muitas vezes Luther King, que “tinha um sonho!”.
Concretizou-se este ano com a eleição do “milagroso” Obama.
Eu também tive sempre um sonho que, no entanto, começou em Realidade! Para me estabelecer tive que ir a Coimbra, ao extinto Grémio, buscar a Carteira Profissional n.
º 2849, de 23/08/1973, que guardo religiosamente e não vendo nem troco por valor algum.
Pasmo com a situação que vivemos agora em 2009!
Senhor Primeiro-Ministro, um fotógrafo não é um “bate-chapa” (entenda-se, “que só dispara”).
Um fotógrafo capta o momento, assinala a história, sofre, colhe sentimentos, regista e documenta.
Por isto, e até só por isto, não deveria ser tratado com tanta leviandade.
Sofremos todos os dias para equilibrar as finanças e garantir parte dos seus prometidos 150 mil empregos.
Lamentavelmente, nem respeito correcto estão a ter com a CPPME, na qual estamos representados e cuja organização representa uma importante fatia sectorial, de milhares de empresas que, por serem pequenas, são mais ignoradas ou descriminadas.
Senhor Primeiro-Ministro de Portugal, Eng.
José Sócrates, em Maio de 2009.
Senhor Deputado Dr.
Feliciano Barreiras Duarte: os Fotógrafos de Portugal não podem esperar mais anos por uma identificação sólida e concreta.
Anotem, por favor! Apenas queremos regulamentação que nos permita ter acesso a controlo digno através da carteira profissional e requisitos profissionais para prestarmos provas e não se entrar nesta profissão com um impresso com início de actividade passado pelas Finanças.
Poderá um fotógrafo ser engenheiro, advogado, médico, enfermeiro ou farmacêutico?! Não, não pode! E porquê? Mas estas profissões e outras podem ser fotógrafos no momento em que se dispuserem a isso.
Será este o mesmo país? Não haverá falta de coragem social e política? Nós trabalhamos a cores e a preto e branco; o nosso principal partido é o Povo que nos procura e também se sente traído com as normas exigidas nas Conservatórias.
Afinal, estamos na Europa e não somos capazes de, pelo menos numa coisa simples, sermos iguais aos outros colegas europeus.
O eco desta minha indignação não surtirá qualquer efeito.
Fica, contudo, o documento escrito de alguém que ousa explicar-se.
Posso garantir que estão a prejudicar radicalmente a imagem de 10 milhões de portugueses que se servem da Fotografia.
Estão a prejudicar ao mesmo tempo os próprios funcionários, que foram formados para outros desempenhos e que, em muitos casos, são “enxovalhados”, quando, afinal, o que (mal!) estão a fazer o fazem por serem obrigados.
Os fotógrafos estão na Era Digital e nos seus Estúdios produzem todos os suportes perfeitos e indicados pela exigência das autoridades.
Este descarado desprezo por esta Profissão trouxe o desemprego, o endividamento e a falência!
Com os protestos do meu respeito e admiração pelas duas entidades que menciono, ainda fico na esperança que a bola de neve, que corre pelo País, não pare e que haja, finalmente, luz verde nas vossas responsabilidades, como responsáveis que são pelos anseios de um Povo e País, onde os cidadãos usem todos os direitos iguais de cidadania, próprios de um Estado civilizado e de direito.
Subscrevo-me com simpatia e atenciosamente.
Celestino das Neves Ferreira dos Santos
Fotógrafo Profissional, portador da Carteira Profissional n.
º 2849, de 23/08/1973 e hoje misturado no turbilhão desta confusa disparidade.
celestino.
foto@netvisao.
pt